Azure muda as regras das reservas em 2027. Como ficam os Savings Plans?
Olá pessoALL,
Se você comprasse uma reserva de três anos hoje, contaria com o exchange pra ajustar o compromisso depois de uma migração? No meu comparativo anterior entre Reservations e Savings Plans, usei essa possibilidade como argumento a favor das reservas. Precisei rever esse ponto com os anúncios da Microsoft. Aqui na AzureBrasil.cloud, a compra precisa fazer sentido pro que o cliente vai rodar durante o contrato, inclusive depois das migrações previstas.
O que os dois anúncios mudam na decisão
Em 18 de março de 2026, a Microsoft anunciou o Savings Plan for Databases. A proposta era assumir um gasto por hora durante um ano e receber preços menores em bancos de dados elegíveis. O anúncio estimava economia entre 0% e 35%, dependendo do serviço, localização e uso. Os 35% vinham de um cenário com Azure SQL Database serverless, comparado ao Pay As You Go, ou PAYG.
Em junho, escrevi o comparativo entre Savings Plan for Databases e Reservations. Defendi reservas para ambientes estáveis e destaquei o exchange, a troca de uma reserva por outra, como saída para mudanças futuras.
Mas a política anunciada em 30 de julho colocou uma data nessa flexibilidade: 1º de fevereiro de 2027. Em 20 de setembro, o artigo You Get One Exchange Left voltou ao assunto e reforçou a necessidade de revisar os compromissos antes da compra.
Eu também simplifiquei demais a recomendação de Savings Plan pra "uso variável". Um ambiente que muda de serviço e mantém gasto recorrente é bem diferente de outro que passa a madrugada inteira sem consumo. Quando fui conferir a aplicação do benefício, ficou claro que aquela recomendação precisava dessa condição.
Se já existe uma migração prevista ou uma redução de capacidade aprovada, isso entra na conta antes da compra. O consumo vai continuar existindo depois dessas mudanças?
Pra nós, como Microsoft Solutions Partner focado em Azure, o trabalho é comparar o desconto com o planejamento do cliente. Preciso entender o que vai mudar na arquitetura, como o ambiente opera e quanto cabe no orçamento.
Como funciona o Savings Plan for Databases hoje
O Savings Plan for Databases é um compromisso financeiro por hora. Dentro do escopo contratado, o Azure aplica o benefício automaticamente ao consumo elegível, começando pelo maior desconto. O valor já descontado consome o compromisso, e o excedente segue a tarifa PAYG aplicável ao cliente.
O prazo também mudou desde o lançamento. O Microsoft Learn revisado em 14 de setembro de 2026 informa termos de um ou três anos, assim como as páginas atuais de preços, como a de MySQL. O anúncio de março falava em um ano. Pra decidir hoje, precisamos comparar os dois prazos.
A cobertura documentada inclui Azure SQL Database, inclusive Hyperscale e serverless, Azure SQL Managed Instance, PostgreSQL, MySQL, Cosmos DB, DocumentDB e Database Migration Service. Confira os componentes elegíveis do seu serviço antes de estimar economia.
As licenças de SQL Server em VMs e SQL Server no Azure Arc também consomem o plano. Porém, entram ao preço normal de PAYG, conforme a observação do Learn. Você pode aproveitar o compromisso com esse gasto sem receber desconto na licença.
Pra comparar as opções, separe os componentes da fatura. Compute (processamento), licença, storage (armazenamento), backup e rede precisam aparecer individualmente na conta.
O compromisso horário é o gasto que você assume, mas a fatura ainda inclui excedentes e outras cobranças. E tem o câmbio: o FAQ de faturamento da Microsoft explica a conversão entre moeda de preço e de cobrança no Microsoft Customer Agreement (MCA) e no Microsoft Partner Agreement (MPA). Um valor definido em dólares pode variar em reais.
Como fica seu direito ao exchange
A mudança alcança reservas dos serviços cobertos por Savings Plans. No anúncio, a lista inclui Azure Virtual Machines, Azure Dedicated Host e Azure App Service. Nos bancos, inclui PostgreSQL, MySQL, DocumentDB, Cosmos DB, Azure SQL Database e Azure SQL Managed Instance.
O anúncio oficial mantém compras, renovações e a flexibilidade de tamanho das instâncias de VM. O ajuste está na possibilidade de trocar reservas elegíveis por outras.
Pela documentação da política, a data de compra ou renovação determina seu direito à troca:
| Situação da reserva elegível | Direito ao exchange |
|---|---|
| Comprada antes de 1/02/2027, com troca antes do corte | Segue a política atual de exchanges |
| Comprada antes do corte e ainda ativa depois dele | Mantém um exchange final |
| Resultado desse exchange final | A nova reserva não pode ser trocada novamente |
| Comprada em ou após 1º/02/2027 | Sem exchange |
| Renovada em ou após o corte, inclusive automaticamente | A nova compra segue a regra sem exchange |
| Troca parcial de uma reserva anterior ao corte | As quantidades originais restantes mantêm um exchange final cada |
Na troca parcial, imagine uma reserva original com dez unidades. Você troca duas depois do corte. As oito restantes preservam seu direito individual. As novas unidades resultantes da troca seguem a política nova.
As exceções da política incluem serviços sem cobertura de Savings Plans, produtos próximos do fim de vida e clouds sem esses planos. Azure VMware Solution é um exemplo sem alteração. Novos serviços que ganharem elegibilidade também entram na política. Confira a situação do produto quando for decidir.
Se precisar ajustar ou encerrar o compromisso, confira qual operação você está fazendo:
- Exchange troca uma reserva por outra, sujeito às regras e à elegibilidade.
- Cancelamento devolve a reserva conforme a política de reembolso. O limite é US$50 mil em compromisso cancelado numa janela móvel de 12 meses. Vale por billing profile (perfil de faturamento) ou enrollment (registro de cobrança EA).
- Trade-in converte reservas elegíveis em Savings Plan da categoria correspondente, compute ou databases.
No trade-in, o compromisso total novo precisa igualar ou superar o valor restante devolvido. Também começa um novo prazo de um ou três anos. Se restam US$1.800, o novo plano precisa assumir pelo menos US$1.800 ao longo do contrato. O valor por hora resultante pode não cobrir os mesmos recursos de antes.
Eu simularia a cobertura antes de confirmar o trade-in, porque a conversão muda as condições comerciais e a forma de aplicar o benefício.
Mas essa flexibilidade entre serviços mantém a obrigação financeira: Savings Plans não permitem cancelamento ou reembolso. Também não podem ser trocados por reservas ou por outro Savings Plan.
Quanto custa uma flexibilidade mal dimensionada
Na aplicação do Savings Plan, o benefício vale pra cada hora. O compromisso sem uso naquela hora expira. Uma hora movimentada mais tarde não recupera o que sobrou antes.
Neste exemplo hipotético, o consumo já está calculado pelas tarifas do plano:
| Item em uma hora de pouco consumo | Valor |
|---|---|
| Compromisso contratado | US$5,00 |
| Consumo elegível às tarifas do plano | US$1,00 |
| Compromisso aproveitado | US$1,00 |
| Compromisso pago sem aproveitamento | US$4,00 |
| Utilização do compromisso | 20% |
Você paga US$5 nessa hora, aproveita US$1 e perde os US$4 restantes. Esse valor não vira saldo pro dia seguinte.
Se essa situação ocorrer por 12 horas diárias durante 30 dias, serão US$1.440 sem aproveitamento: US$4 × 12 × 30. É uma simulação, sem conversão cambial. Pra calcular economia líquida, ainda precisamos comparar o custo total com o PAYG daquele mesmo consumo.
US$5/h dá US$43.800 de compromisso ao longo de um ano de 365 dias. Eu olharia esse total antes de arredondar a compra "só um pouquinho pra cima".
Um banco de desenvolvimento que liga poucas horas por dia pode deixar benefício ocioso. Já vários bancos, com horários diferentes e consumo agregado recorrente, podem aproveitar melhor um plano dentro do escopo permitido.
Seu consumo continua recorrente quando você olha hora por hora? A média mensal esconde os intervalos de consumo baixo. Eu simularia essa distribuição depois de descontar as reservas existentes e considerar os desligamentos planejados. O compromisso precisa caber no consumo do ambiente que vai permanecer durante o contrato.
Quando escolher Reservations, Savings Plans ou PAYG
Continuo considerando Reservations uma opção forte pra uma configuração conhecida, com consumo contínuo e pouca chance de mudança. É o perfil em que consigo avaliar o desconto com mais confiança, e é também o que a orientação da Microsoft indica pra reservas.
O Savings Plan ganha espaço quando o consumo agregado continua existindo enquanto a arquitetura muda. Uma migração entre bancos elegíveis pode preservar gasto suficiente pra aproveitar o plano, mesmo com distribuição diferente entre serviços e regiões.
| Cenário | O que eu avaliaria primeiro | Condição pra decidir |
|---|---|---|
| Ambiente estável, com configuração e consumo recorrentes | Reservation | Preço, compatibilidade e expectativa de uso durante o prazo |
| Modernização com gasto agregado recorrente em serviços elegíveis | Savings Plan | Continuidade do consumo horário após a migração |
| Desenvolvimento, testes ou projetos com consumo esporádico | PAYG | Risco de pagar compromisso durante períodos sem uso |
| Ambiente com parte estável e parte em evolução | Combinação | Dimensionar cada compromisso sobre o consumo que ele pode atender |
Na minha comparação anterior, usei percentuais estimados pra ilustrar diferenças entre os modelos. Pra decidir uma compra, eu colocaria os preços do serviço e do contrato lado a lado, incluindo a tarifa PAYG negociada, o desconto da reserva e os componentes cobertos pelo plano.
A página de Cosmos DB com throughput provisionado em autoscale publica 12% de desconto em RU/s para Savings Plan. RU/s mede a capacidade de operações do banco. Na consulta feita em outubro de 2026, eram os mesmos 12% pra um e três anos.
Se o desconto é igual, qual benefício justifica assumir três anos naquele cenário? Eu começaria avaliando o prazo menor. Outros serviços podem apresentar condições diferentes. Compare a oferta atual antes de decidir.
Pra combinar os modelos, considere que o Azure aplica reservas compatíveis primeiro. Depois, o Savings Plan atende o consumo elegível restante dentro do seu compromisso, e o que ficar descoberto segue em PAYG. Compute e databases têm planos distintos, cada um com sua elegibilidade.
Essa combinação exige simulação após aplicar as reservas. Comprar dois compromissos dimensionados sobre a mesma base pode criar sobra, mesmo com tudo tecnicamente funcionando.
Como revisar seu ambiente antes de fevereiro
Antes de comprar ou renovar, eu faria esta revisão:
1. Inventarie compromissos e mudanças previstas
Em Reservations e Savings plans, registre serviço, quantidade ou valor horário, escopo, prazo, utilização e renovação. Relacione os compromissos às migrações, desligamentos e mudanças de capacidade aprovadas. Quem conhece o próximo projeto precisa participar dessa revisão junto com quem paga a fatura.
2. Revise arquitetura e licenciamento
No caso do Azure SQL com reserva utilizada a 100%, a cobertura do compute não resolvia todas as cobranças. A documentação de reservas de Azure SQL confirma que software, rede e storage ficam fora desse benefício.
Mas utilização alta ainda pode acompanhar uma arquitetura cara. Por que esse tier, ou camada de serviço? Quais requisitos de disponibilidade, desempenho e recuperação precisam ser atendidos? Avalie as alternativas antes de assumir outro prazo.
3. Elimine desperdícios antes de dimensionar
Revise recursos ociosos, capacidade excessiva e ambientes que podem desligar fora do expediente. No guia de otimização de Azure Storage, o ponto de partida também era entender o uso antes de escolher a estratégia.
Depois dos ajustes, gere novas simulações, porque a linha de base usada pra comprar compromissos pode ter diminuído. A orientação oficial de otimização segue essa ordem: primeiro remover desperdício, depois dimensionar os compromissos.
4. Simule o futuro e escolha o escopo
Compare manter as reservas, fazer exchange enquanto elegível, usar o exchange final ou realizar trade-in. Inclua o consumo posterior às mudanças previstas. Pra novas compras, compare os prazos disponíveis e preserve margem pra incerteza.
Escolha o escopo considerando aproveitamento e responsabilidade pelo orçamento. Coordenar compras evita que equipes dimensionem compromissos sobre o mesmo consumo. Eu documentaria quem acompanha cada benefício e quem decide na renovação.
5. Confira economia e desperdício nos relatórios
No portal, acesse Cost Management → Cost analysis → Amortized cost, no escopo permitido pelo seu contrato. Agrupe por tipo de cobrança e benefício. Procure tanto o consumo atendido quanto o compromisso sem utilização.
Os relatórios oficiais distinguem Actual Cost, usado pra reconciliar cobranças, de Amortized Cost, que distribui o custo do plano. Na visão amortizada, o desperdício aparece como UnusedSavingsPlan. A documentação também apresenta downloads e Cost Details API para cenários EA e MCA. Valide a disponibilidade e as permissões no seu contrato.
Pra responder ao financeiro quanto você economizou, compare o PAYG aplicável ao mesmo consumo com o custo completo dos compromissos, incluindo a parte ociosa.
O que eu mudaria na próxima compra
Eu deixaria de contar com exchanges sucessivos ao comprar uma reserva de três anos pra um ambiente em migração. A política de fevereiro de 2027 permite uma troca final pras reservas anteriores ao corte, e a reserva resultante já segue as novas condições.
Também colocaria uma condição na recomendação de Savings Plan pra uso variável: o gasto precisa continuar recorrente por hora. É com esse consumo em mãos que eu escolheria o compromisso e o prazo.
Aqui na AzureBrasil.cloud, quero que a recomendação de compra tenha essa análise por trás. Como Microsoft Solutions Partner, precisamos entender o roadmap do cliente e comparar os componentes da fatura, além de acompanhar o resultado depois. Se assumir compromisso aumenta o risco, nossa recomendação pode ser manter PAYG.
Se você quer revisar suas reservas e seus Savings Plans antes de fevereiro, fale com a nossa equipe. E compartilhe nos comentários: quais mudanças de arquitetura você já tem previstas durante o prazo dos seus compromissos?
[]s e até a próxima