Como Habilitar o Pay-As-You-Go no Copilot Studio Sem Deixar Seus Agentes Pararem

Como Habilitar o Pay-As-You-Go no Copilot Studio Sem Deixar Seus Agentes Pararem

Configure a cobrança por consumo no Power Platform antes que o limite de Copilot Credits desligue um agente em produção.

11 de setembro de 2026
O que você vai aprender: Como criar uma cobrança (billing policy) no Power Platform, vincular um ambiente a uma assinatura Azure e habilitar o pay-as-you-go para o Copilot Studio, entendendo antes por que isso evita que um agente pare de responder no meio da operação.

Pré-requisitos

Requisito Obrigatório? Notas
Função Environment Admin, Power Platform Admin, Dynamics 365 Admin ou Global Admin Sim Qualquer uma delas permite criar e vincular uma billing policy.
Assinatura Azure ativa Sim Precisa de permissão para criar recursos e registrar provedores de recursos nela. Normalmente, ser owner ou contributor já basta.
Um resource group na assinatura Azure Sim Se não existir nenhum, é preciso criar um pelo Azure portal antes de configurar a cobrança.
Ambiente do Power Platform (produção ou sandbox) já criado Sim O pay-as-you-go vincula um ambiente existente; ele não cria um ambiente novo, exceto no fluxo específico do Microsoft 365 Copilot Chat.

Onde Tudo Costuma Dar Errado

Um agente do Copilot Studio consome Copilot Credits a cada interação: uma resposta clássica custa 1 crédito, uma resposta generativa custa 2, uma ação do agente custa 5, e assim por diante, dependendo do recurso usado. Quando você compra uma licença do Copilot Studio, recebe uma quantidade de créditos pré-pagos, compartilhada entre todos os ambientes do tenant.

O problema aparece quando esses créditos acabam. Segundo a documentação oficial de billing do Copilot Studio, ao atingir 125% da capacidade pré-paga do tenant, o Microsoft aciona uma política de enforcement: os agentes customizados são desativados. A conversa em andamento não é interrompida, mas qualquer nova tentativa de interação passa a ser rejeitada até que a capacidade seja realocada, mais créditos sejam comprados, ou o pay-as-you-go seja habilitado para assumir o excedente.

Existe uma variação mais específica para agent flows (as sequências de ações que um agente executa sem depender de raciocínio a cada etapa): quando a capacidade se esgota, apenas os flows param de rodar. O agente continua respondendo normalmente a conversas que não dependem daquele flow. É uma diferença que importa na hora de diagnosticar por que "só uma parte" do agente parou de funcionar.

Nenhum desses dois cenários é hipotético: é o comportamento documentado e ativo hoje. Se o seu agente atende clientes ou automatiza um processo interno crítico, vale decidir com antecedência como esse excedente vai ser tratado, em vez de descobrir isso só quando o agente já parou.

Pay-As-You-Go x Capacidade Pré-Paga: Não São a Mesma Coisa

Antes de configurar qualquer coisa, vale entender o que o pay-as-you-go realmente muda, e o que ele não muda.

Capacidade pré-paga (Copilot Credits packs) Pay-as-you-go
Como funciona Você compra um pacote de créditos, dividido entre ambientes do tenant Você vincula um ambiente a uma assinatura Azure; o consumo excedente é cobrado por lá
Previsibilidade de custo Alta: valor fixo, mas cabe gerenciar estoque de créditos manualmente Variável: cresce conforme o uso real, sem limite superior definido por padrão
Renovação Mensal, com expiração do que não foi usado Não se aplica: é cobrança por consumo
Quando falta capacidade Agente é desativado ao atingir 125% de uso Não há bloqueio: o excedente é simplesmente cobrado
Melhor cenário de uso Ambientes com volume previsível e orçamento fechado Agentes críticos, uso sazonal ou fase de escala onde prever consumo é difícil

O ponto que gera confusão: habilitar o pay-as-you-go não aumenta a sua capacidade pré-paga. São dois mecanismos independentes que podem coexistir no mesmo tenant e até no mesmo ambiente. Você pode, por exemplo, manter uma alocação de créditos pré-pagos para uso normal e usar o pay-as-you-go apenas como rede de segurança para o excedente. É exatamente esse o cenário que a configuração abaixo resolve.

Colocando em Prática: Criando a Cobrança no Power Platform

Passo 1: Garanta a assinatura Azure e o resource group

Se sua organização já usa Azure para outros serviços, qualquer assinatura em que você tenha permissão de criar recursos serve. Caso contrário, será preciso obter ou criar uma seguindo o processo padrão da sua organização, ou pela página de conta Azure. Confirme também que existe pelo menos um resource group nessa assinatura: é nele que o recurso de cobrança do Power Platform vai ser criado.

Passo 2: Crie o billing plan no Power Platform admin center

  1. Acesse o Power Platform admin center e, no menu lateral, selecione Licensing.
  2. Em Licensing, selecione Pay-as-you-go plans.
  3. Selecione New billing plan.
  1. Escolha a opção Azure subscription (não confunda com a opção "Microsoft 365 Copilot Chat", tratada à parte mais abaixo).
  2. Em Name, dê um nome identificável ao plano: algo que facilite saber depois qual centro de custo ele representa.
  3. No dropdown Azure subscription, selecione a assinatura que vai receber a cobrança. Só aparecem assinaturas do tenant nas quais você tem permissão suficiente.
  4. No dropdown Resource group, selecione o resource group onde o recurso de cobrança do Power Platform será criado.
  5. No dropdown Power Platform products, selecione o produto correspondente: no caso deste artigo, Copilot Studio.
  6. Selecione Next.
Por que isso importa: o billing plan não cobra nada por si só. Ele é apenas o vínculo entre um ou mais ambientes e a assinatura Azure. A cobrança real só começa quando um ambiente consome acima da capacidade pré-paga disponível.

Passo 3: Vincule o ambiente ao billing plan

  1. Na tela Select environments, escolha a região do ambiente no filtro Region.
  2. Selecione o ambiente que deve ficar coberto pelo pay-as-you-go.
  3. Selecione Save.

A partir daqui, esse ambiente passa a funcionar como um ambiente pay-as-you-go: qualquer consumo de Copilot Studio acima da capacidade pré-paga alocada para ele passa a ser cobrado na assinatura Azure vinculada, em vez de acionar o enforcement que desativa o agente.

Como Saber Se Funcionou: Monitorando o Consumo

Habilitar a cobrança sem acompanhar o consumo depois é meio caminho andado. O Power Platform admin center concentra essa visão:

  1. Acesse Licensing > Copilot Studio.
  2. Na aba Summary, observe o card Pay-as-you-go credits: ele mostra quantos billing plans com o meter do Copilot Studio estão ativos e o total de créditos já cobrados no mês corrente.
  3. Na aba Environments, selecione o ambiente que você acabou de vincular para ver o detalhamento por produto e por agente, incluindo quantos créditos vieram da capacidade pré-paga e quantos foram cobrados via pay-as-you-go.
  • O billing plan aparece listado em Pay-as-you-go plans com o ambiente correto vinculado.
  • O recurso de conta do Power Platform aparece no resource group escolhido, dentro do Azure portal.
  • O card Environments do Copilot Studio mostra o ambiente com status "pay-as-you-go" habilitado.

Uma Camada Extra de Controle: Limite Mensal Por Agente

Pay-as-you-go remove o bloqueio automático, mas isso também significa que não existe um teto de gasto por padrão. Para quem opera com orçamento restrito, vale configurar um limite mensal de consumo por agente:

  1. Em Licensing > Copilot Studio > Summary, selecione Manage Agents.
  2. Localize o agente desejado e defina um limite mensal de Copilot Credits.
  3. Configure as duas camadas de proteção disponíveis: notificação (para admins do ambiente e do tenant, quando o consumo se aproxima do limite) e hard stop (desliga o agente automaticamente ao atingir o limite definido).

Em ambientes com capacidade pré-paga, esse limite precisa respeitar o total alocado. Em ambientes pay-as-you-go, você pode definir qualquer valor. O consumo continua sendo cobrado normalmente até o limite escolhido.

Como Reverter, Se Precisar

Vincular um ambiente a uma assinatura Azure não é uma decisão permanente. Para desligar o pay-as-you-go:

  • Edite o billing plan em Licensing > Pay-as-you-go plans e remova o ambiente da lista vinculada, ou
  • Exclua o billing plan inteiro, se ele não tiver outros ambientes vinculados.

Assim que a remoção é feita, o ambiente volta a funcionar como um ambiente regular: qualquer uso acima da capacidade pré-paga volta a ser bloqueado pelo enforcement padrão. Uso já registrado até o momento da remoção continua sendo cobrado normalmente na assinatura Azure. A mudança não é retroativa.

Atenção: excluir o billing plan no Power Platform admin center não exclui automaticamente o recurso correspondente no Azure. Se quiser removê-lo por completo, delete o recurso de conta do Power Platform diretamente no Azure portal.

Resumo Executivo

Antes de considerar essa configuração concluída, confirme:

  • Você tem uma das funções administrativas exigidas (Environment, Power Platform, Dynamics 365 ou Global Admin).
  • A assinatura Azure e o resource group já existem e você tem permissão de criação nela.
  • O billing plan foi criado com o produto Copilot Studio selecionado.
  • O ambiente correto está vinculado ao billing plan.
  • Você sabe onde acompanhar o consumo (Licensing > Copilot Studio > Summary/Environments).
  • Você decidiu, conscientemente, se vale configurar um limite mensal por agente.

O pay-as-you-go não substitui a gestão de capacidade pré-paga do Copilot Studio: ele complementa. Uma organização pode manter sua alocação de créditos para o uso normal e usar o pay-as-you-go apenas como rede de segurança contra o enforcement, evitando que um agente crítico pare de responder no pior momento possível.

Se você está avaliando quando faz sentido migrar um ambiente para pay-as-you-go, ou já teve um agente desativado por esgotamento de capacidade, vale conversar com a Azure Brasil sobre um diagnóstico de licenciamento do Power Platform e do Copilot Studio antes de escalar o uso em produção.

Referências

Confira mais:

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