Observabilidade avançada para GPU e inferência no Azure

Observabilidade avançada para GPU e inferência no Azure

Métricas, gargalos e custo em workloads de IA em produção

28 de Janeiro de 2026

Introdução

Em workloads de Inteligência Artificial, observar apenas CPU, memória e disco não é suficiente. GPUs têm comportamento próprio, gargalos específicos e custo elevado. Sem observabilidade adequada, é comum ver ambientes caros, instáveis e difíceis de escalar.

Em produção, os problemas mais comuns são:

  • GPUs subutilizadas
  • inferência lenta sem causa aparente
  • filas invisíveis
  • custos altos sem correlação com valor entregue

A observabilidade de GPU e inferência precisa ser tratada como parte da arquitetura, não como um ajuste posterior.

Neste artigo você vai aprender:

  • quais métricas de GPU realmente importam
  • como observar GPU em VMs e AKS
  • onde surgem os gargalos reais de inferência
  • como usar p50, p90 e p99 corretamente
  • como conectar performance e custo em ambientes multi-cluster

Por que observabilidade de GPU é diferente

GPU não se comporta como CPU.

Problemas comuns em produção:

  • GPU com baixo uso, mas alto custo
  • GPU saturada por memória, não por compute
  • gargalo de I/O mascarando uso de GPU
  • inferência lenta mesmo com GPU ociosa

Sem métricas específicas, decisões de escala tendem a ser erradas.

Regra prática.

Se você não mede GPU corretamente, você está pagando para adivinhar.

Métricas essenciais de GPU

Métricas de compute

  • GPU utilization
  • SM occupancy
  • active cycles

Indicam se o modelo está realmente usando o poder de processamento da GPU.

Métricas de memória

  • GPU memory used
  • GPU memory free
  • memory bandwidth

Muitos modelos sofrem mais por falta de memória do que por compute.

Métricas térmicas e de energia

  • temperature
  • power draw
  • throttling events

Quedas silenciosas de performance geralmente aparecem aqui primeiro.

Observabilidade de GPU em VMs no Azure

Para VMs com GPU, a arquitetura mais comum envolve:

  • NVIDIA DCGM
  • Azure Monitor Agent
  • Log Analytics
  • Azure Workbooks

Fluxo típico:

  1. DCGM coleta métricas da GPU
  2. Azure Monitor Agent envia os dados
  3. Log Analytics armazena
  4. Workbooks exibem dashboards

Boas práticas:

  • coletar métricas por VM
  • usar tags por workload
  • coletar em intervalos menores para inferência

Observabilidade de GPU no AKS

AKS adiciona outra camada de complexidade.

Componentes essenciais:

  • NVIDIA Device Plugin
  • DCGM Exporter
  • Container Insights
  • métricas customizadas

Métricas importantes:

  • uso de GPU por pod
  • memória de GPU por container
  • pods pendentes por falta de GPU
  • tempo de fila de inferência

Boas práticas:

  • node pools GPU dedicados
  • namespaces separados
  • métricas agregadas por modelo

Gargalos reais de inferência

Na prática, a GPU raramente é o único gargalo.

Problemas frequentes:

  • fila de requisições
  • cold start do modelo
  • carregamento lento de pesos
  • contenção de memória GPU
  • limitação de rede
  • serialização excessiva

É por isso que observar apenas GPU utilization não é suficiente.

Entendendo p50, p90 e p99 na inferência de IA

Médias escondem problemas. Inferência apresenta distribuição assimétrica. A maioria das requisições é rápida, mas uma pequena parcela pode ser extremamente lenta.

O que são percentis

  • p50. 50 por cento das requisições respondem até esse tempo. Representa a experiência típica.
  • p90. 90 por cento das requisições respondem dentro desse tempo. Mostra comportamento sob carga.
  • p99. 99 por cento das requisições respondem dentro desse tempo. Revela outliers e instabilidade.

Regra prática: Usuários reclamam por causa do p99, não do p50.

Distribuição de latência na prática

No diagrama:

  • p50 concentra a maioria das requisições
  • p90 já mostra degradação
  • p99 evidencia a cauda longa que impacta SLA

Por que p99 é crítico em IA

Exemplo realista:

  • p50. 45 ms
  • p90. 170 ms
  • p99. 800 ms

Se você olhar apenas p50, tudo parece saudável.
O p99 mostra que o sistema não é confiável sob carga real.

O que normalmente causa p99 alto

Na maioria dos casos, p99 elevado não é culpa direta da GPU.

Causas comuns:

  • cold start do modelo
  • leitura de pesos do storage
  • fila antes da GPU
  • contenção de memória
  • pods aguardando GPU livre
  • limitação de rede

Conectando observabilidade e custo

GPU é cara. Cada minuto desperdiçado importa.

Boas práticas:

  • custo por modelo
  • custo por cluster
  • custo por requisição
  • custo por GPU-hour

Combine:

  • métricas de uso real
  • tags por workload
  • dados do Azure Cost Management

Resultado: Você sabe exatamente quanto custa cada modelo em produção.

Multi-cluster e observabilidade centralizada

Em AKS multi-cluster, observar clusters isoladamente não funciona.

Arquitetura recomendada:

  • Log Analytics central
  • métricas consolidadas
  • dashboards por cluster
  • alertas globais

Alertas importantes:

  • GPU abaixo de 20% por período prolongado
  • GPU acima de 90% de forma contínua
  • fila de inferência crescente
  • custo fora do padrão

Alertas que realmente importam

Evite alertas genéricos.

Alertas úteis:

  • p99 acima do SLA
  • GPU ociosa com fila crescente
  • pods pendentes por falta de GPU
  • falha de alocação de GPU
  • eviction de Spot durante treino

Alertas ruins:

  • picos pontuais
  • métricas sem impacto real
  • médias sem contexto

Conclusão

Observabilidade avançada para GPU e inferência não é luxo.
É o que separa plataformas de IA eficientes de ambientes caros e instáveis.

Resumo final:

  • GPU exige métricas próprias
  • inferência precisa de visão fim a fim
  • p99 indica estabilidade real
  • custo deve ser correlacionado com uso
  • multi-cluster exige observabilidade central

Infraestrutura madura de IA no Azure mede antes de escalar e entende antes de gastar.

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