Entity Framework em APIs modernas

Entity Framework em APIs modernas

Boas práticas conceituais em do uso de Entity Framework em aplicações ASP.NET Core

3 de Fevereiro de 2026

O Entity Framework Core é sem dúvidas o ORM mais famoso e utilizado no ecossistema .NET para construção de APIs modernas. Acredite ou não que apesar de sua popularidade, grande parte dos problemas atribuídos a ele não está na ferramenta em si, mas no uso inadequado de seus conceitos fundamentais acredita?

Em APIs ASP.NET Core, o EF Core não deve ser visto apenas como um atalho ou simples ferramenta de acesso para o banco de dados, mas como uma abstração que impõe um modelo mental específico. Quando esse modelo e padrão é respeitado, os ganhos em manutenção, produtividade e performance são significativos. Quando ele é ignorado, aí sim começam a ser gerados os gargalos de performance, acoplamento excessivo e uso exagerado de memória(Quem nunca recebeu um "Out of memory"?).

Este artigo vai te mostrar os principais pontos do EF Core e sua utilização em APIs modernas e pra finalizar tem um projeto real simples, alinhado às boas práticas apresentadas.

O papel do Entity Framework em APIs ASP.NET Core

Em uma API moderna, o EF Core normalmente ocupa a camada de persistência, tendo como suas principais responsabilidades:

  • Mapear as entidades de domínio transformando as em tabelas
  • Traduzir LINQ em SQL
  • Controlar o estado das entidades
  • Gerenciar as transações de forma direta

Ele resolve um problema muito recorrente em sistemas corporativos: padronizar o acesso a dados sem espalhar SQL pela aplicação. Em contrapartida, adiciona uma camada extra que exige decisões conscientes.

O EF Core funciona melhor quando:

  • O domínio é relevante
  • As regras mudam com frequência
  • A manutenção é contínua
  • O time prioriza clareza e previsibilidade

Versões do .NET e compatibilidade com Entity Framework Core

O Entity Framework Core evoluiu junto com o .NET. Cada versão do EF Core é pensada para trabalhar de forma ideal com a sua versão compativel de runtime.

Um exemplo de compatibilidade entre as versões

.NET	----> EF Core
.NET 6	----> EF Core 6
.NET 7	----> EF Core 7
.NET 8	----> EF Core 8
.NET 9+	----> EF Core correspondente

Em APIs modernas, a recomendação é clara:

  • Use sempre a versão LTS mais recente
  • Evite misturar diferentes versões (ex: EF 7 em .NET 8)

Usar a combinação adequada traz melhorias relevantes em:

  • Performance de queries
  • Tradução correta de LINQ → SQL
  • Menor alocação de memória
  • Melhor suporte a async e pooling

Instalação dos pacotes do Entity Framework Core

O EF Core é distribuído de forma modular. Em uma API ASP.NET Core, normalmente você precisa apenas desses dois pacotes essenciais.

Pacotes essenciais

dotnet add package Microsoft.EntityFrameworkCore
dotnet add package Microsoft.EntityFrameworkCore.Design
  • EntityFrameworkCore
    Contém o runtime do ORM.
  • EntityFrameworkCore.Design
    Necessário para migrations, scaffolding e comandos do dotnet ef.

Esse pacote é usado apenas em tempo de desenvolvimento, mas costuma ser mantido no projeto da API por simplicidade.

DbContext lifetime: A unidade de trabalho da API

O DbContext representa uma unidade de trabalho. Ele mantém por debaixo dos panos:

  • Conexão com o banco
  • Change Tracker
  • Transações
  • Cache de entidades carregadas

Em APIs HTTP, a unidade de trabalho natural é a requisição. Por isso, o ciclo de vida correto do DbContext é Scoped (Unica instância de serviço por requisição).

builder.Services.AddDbContext<AppDbContext>(options =>
    options.UseNpgsql(connectionString));

Conceitualmente:

  • Cada request cria um DbContext
  • Todas as operações daquele request compartilham o mesmo contexto
  • Ao final, o contexto é descartado

Isso garante isolamento, previsibilidade e evita efeitos colaterais entre requisições. Usar DbContext como Singleton(Unica instância de serviço por execução da aplicação) ou reutilizá-lo fora desse escopo quebra completamente esse modelo.

Tracking vs NoTracking: Estado tem custo

O Change Tracking é um dos principais diferenciais do EF Core. Ele permite que o framework perceba as alterações automaticamente e gere comandos de persistência necessários.

var user = await _context.Users.FirstAsync();
user.Name = "Novo Nome";
await _context.SaveChangesAsync();

Esse comportamento é essencial para operações de escrita, mas tem custo. Cada entidade trackeada consome memória e processamento.

Em APIs, a maioria dos endpoints é voltada para leitura. Nesses casos, o tracking não traz benefício algum.

var users = await _context.Users
    .AsNoTracking()
    .ToListAsync();

A decisão aqui é conceitual e faz total diferença:

  • Escrita precisa de monitoramento do estado das entidades
  • Leitura não

Quando essa separação é respeitada, a aplicação se torna naturalmente mais eficiente.

Projeções com Select: Intenção explícita da API

Entidades representam o modelo interno da aplicação. APIs expõem contratos de dados. Misturar esses dois conceitos costuma gerar problemas.

Um erro comum:

return await _context.Users.ToListAsync();

Isso:

  • Retorna mais dados do que o necessário
  • Expõe o modelo de persistência
  • Cria acoplamento entre API e banco

Uma projeção adequada resolve isso de forma simples:

var users = await _context.Users
    .AsNoTracking()
    .Select(u => new UserDto
    {
        Id = u.Id,
        Name = u.Name,
        Email = u.Email
    })
    .ToListAsync();

Aqui, a query expressa exatamente a intenção do endpoint.
Além de melhorar performance, a projeção melhora legibilidade e manutenção. o Entity Framework Core permite ainda, inspecionar o SQL e os log gerados em tempo de execução.

Ter os logs de queries habilitado é essencial para diagnosticar problemas de performance, validar traduções LINQ para SQL e evitar execuções inesperadas fora do banco de dados.

Problemas comuns de performance com EF Core

A maioria dos problemas de performance surge pelo uso de alguns padrões recorrentes usados de maneira errada.

Execução fora do banco

var users = _context.Users.ToList();
var activeUsers = users.Where(u => u.IsActive);

Nesse caso, o filtro ocorre em memória. O correto é delegar e passar o máximo de responsabilidade possível ao banco de dados, solicitando apenas o que é necessário.

var activeUsers = await _context.Users
    .Where(u => u.IsActive)
    .ToListAsync();

Include excessivo

_context.Orders
    .Include(o => o.Customer)
    .Include(o => o.Items)
    .Include(o => o.Payments);

Esse padrão gera SQL grande, frágil e pouco performático. Na maioria dos cenários, projeção é mais eficiente e mais clara.

Materialização precoce

Chamar ToList() cedo demais impede que o EF otimize a query.
A regra é simples: materialize os dados o mais tarde possível.

Code First: O código como fonte da verdade

Em APIs modernas, o banco de dados vá evoluindo junto com o código. O Code First transforma o modelo em fonte oficial do schema.

Onde a entidade modelo User através da utilização de migrations, se transforma em código SQL para criação da tabela User.

public class User
{
    public Guid Id { get; set; }
    public string Name { get; set; } = null!;
    public string Email { get; set; } = null!;
    public bool IsActive { get; set; }
}
dotnet ef migrations add CreateUsers
dotnet ef database update
public partial class InitialCreate : Migration
{
    /// <inheritdoc />
    protected override void Up(MigrationBuilder migrationBuilder)
    {
        migrationBuilder.CreateTable(
            name: "Users",
            columns: table => new
            {
                Id = table.Column<Guid>(type: "uuid", nullable: false),
                Name = table.Column<string>(type: "text", nullable: false),
                Email = table.Column<string>(type: "text", nullable: false),
                IsActive = table.Column<bool>(type: "boolean", nullable: false)
            },
            constraints: table =>
            {
                table.PrimaryKey("PK_Users", x => x.Id);
            });
    }

    /// <inheritdoc />
    protected override void Down(MigrationBuilder migrationBuilder)
    {
        migrationBuilder.DropTable(
            name: "Users");
    }
}

Migrations representam a história e evolução do sistema. Quando usadas com disciplina, eliminam divergências entre ambientes e reduzem retrabalho.

Conclusão

Entity Framework Core não é apenas uma ferramenta de acesso aos dados. Ele impõe um modelo de pensamento sobre como uma API deve interagir com o banco.

Quando usado com clareza de intenção, separando leitura de escrita, projetando dados corretamente e respeitando o ciclo de vida do DbContext ele deixa de ser um risco de performance e se torna um aliado sólido na construção de APIs modernas e aplicações cada vez mais rápidas.

Entity Framework não é lento. A sua utilização de forma incorreta é.

Código-fonte do projeto

Para facilitar o entendimento, disponibilizei o projeto completo com o exemplo de uso adequado do Entity Framework, já organizado com separação de responsabilidades e boas práticas:

👉 Baixar o projeto no GitHub neste link:

Quer ver mais conteúdos como este?

Se você trabalha com .NET, C# e backend, este blog seguirá trazendo conteúdos práticos e objetivos sobre o ecossistema Microsoft, com foco em código, boas práticas e decisões técnicas aplicadas ao mundo real.

Acompanhe para continuar aprofundando seu domínio sobre a plataforma .NET.

Confira mais:

Fique por dentro das novidades

Assine nossa newsletter e receba as últimas atualizações e artigos diretamente em seu email.

Assinar gratuitamente