App Service Managed Instance - O Elo que Faltava

App Service Managed Instance - O Elo que Faltava

18 de Fevereiro de 2026

Durante anos, quando falávamos em migrar aplicações legadas baseadas em IIS para a nuvem, a decisão quase sempre terminava no mesmo lugar: Máquinas Virtuais!

Não porque fosse a melhor opção arquitetural.
Mas por que era a única opção viável sem quebrar tudo.

Se você já tentou mover uma aplicação clássica em ASP.NET / .NET Framework para Azure App Service, provavelmente já viveu esse momento:

  • A aplicação precisa instalar um componente.
  • Usa fontes específicas para gerar relatórios.
  • Depende de DLLs nativas ou componentes COM.
  • Lê configuração do Registry.
  • Escreve em caminhos fixos como C:\ ou L:\Logs.
  • Pressupõe que você pode “entrar no servidor e ajustar algo”.

E aí o App Service tradicional simplesmente não atende.
Resultado? Voltávamos para VMs. Ou VM Scale Sets.
Mas isso começa a mudar com o Managed Instance on Azure App Service.

E, na minha opinião, isso muda a conversa sobre migração!

A falsa dicotomia que tivemos por anos

Por muito tempo, a decisão era binária:

Opção 1 – Azure App Service

✔ PaaS
✔ Escala simplificada
✔ Patch gerenciado
✔ SSL simplificado
❌ Sem acesso ao SO
❌ Sem Registry
❌ Sem instalação de dependências

Opção 2 – Azure VM / VM Scale Sets

✔ Controle total do Windows
✔ Compatibilidade total com IIS legado
❌ Você gerencia Load Balancer
❌ Você gerencia SSL
❌ Você gerencia patch
❌ Você gerencia drift de configuração
❌ Você gerencia imagem
❌ Você gerencia RDP e segurança

Muitas empresas não queriam IaaS. Mas eram obrigadas a escolher IaaS.

O que o Managed Instance realmente resolve

O Managed Instance on Azure App Service não é apenas “mais um SKU”.

Ele é um meio-termo estratégico entre VM e App Service tradicional.
Você continua criando:

  • Um App Service
  • Dentro de um App Service Plan

Mas agora esse plano permite:

  • Executar scripts de configuração
  • Montar storage com drive letters
  • Criar valores de registry via adapters
  • Integrar com Key Vault para segredos
  • Usar RDP seguro via Azure Bastion
  • Manter escala e patching gerenciado

Em outras palavras:

Você mantém os benefícios de PaaS mas ganha flexibilidade suficiente de SO para rodar aplicações legadas.
Esse é o “PaaS bridge” que faltava.

“Mas eu já fazia isso com VM Scale Sets”

Sim. Eu também.

Já fiz inúmeras migrações usando:

  • VMSS
  • Load Balancer
  • IIS
  • Certificados manuais
  • Script de bootstrap
  • Custom Script Extension
  • Golden Images

Funciona? Funciona.

Mas vamos ser honestos: a complexidade operacional cresce rápido. Com VMSS você ainda precisa:

  • Configurar e manter o Load Balancer
  • Gerenciar certificados TLS
  • Orquestrar patching
  • Garantir que a imagem está atualizada
  • Evitar configuration drift
  • Restringir e proteger acesso RDP
  • Monitorar instâncias individualmente

O Managed Instance remove boa parte dessa camada de infraestrutura.
Você deixa de gerenciar o “encanamento” E passa a focar na aplicação.

O poder dos scripts como contrato de dependência

Existe uma regra simples para que essa abordagem funcione:

Se não está no script, não existe.

O Managed Instance exige maturidade. Nada de “entrei no servidor e ajustei manualmente”.

Tudo precisa estar:

  • Versionado
  • Idempotente
  • Automatizado
  • Reexecutável

Mas isso é uma vantagem, não um problema.

Você transforma anos de configuração manual acumulada em um contrato de dependência reproduzível.

Isso melhora:

  • Escalabilidade
  • Patch
  • Reimage
  • Disaster Recovery
  • Governança

Storage mounts: desbloqueando o legado

Uma das maiores dores em migração é o file system.

Aplicações antigas assumem:

  • Drive letters fixas
  • Pastas compartilhadas
  • Escrita local persistente
  • Caminhos hardcoded

Com Managed Instance você pode:

  • Montar Azure Files
  • Montar storage via VNet
  • Mapear caminhos previsíveis
  • Separar armazenamento persistente de temporário

Isso sozinho já destrava muitos cenários que antes empurravam para VM.

Quando eu ainda escolheria VM

Vamos ser equilibrados.

Eu ainda escolheria VM quando:

  • Você precisa de controle total contínuo do SO
  • Existem dependências que não podem ser scriptadas
  • Existe tooling muito específico no servidor
  • O modelo “quase-imutável” não é viável

Managed Instance não substitui VM em todos os cenários.

Mas reduz drasticamente os casos em que VM era escolhida apenas por limitação do App Service tradicional.

A estratégia de migração que eu recomendo agora

Com essa nova possibilidade, minha abordagem estratégica muda:

  1. Mapear dependências reais da aplicação.
  2. Tentar Managed Instance primeiro.
  3. Capturar tudo em scripts.
  4. Estabilizar.
  5. Modernizar gradualmente por APIs.
  6. Evoluir para arquitetura mais cloud-native ao longo do tempo.

Isso reduz risco. Evita reescritas forçadas. Permite entregar valor mais rápido.

E cria base sólida para modernização futura — inclusive integração com IA, APIs e novos serviços.

O que isso significa para arquitetos e empresas

Por anos, muitas organizações ficaram presas em VMs porque:

  • A aplicação era “sensível”
  • O risco de reescrita era alto
  • O prazo não permitia modernização profunda

Managed Instance cria uma zona intermediária.

Não é reescrita.
Não é IaaS puro.
É uma ponte.

E, na prática, pontes reduzem risco.

Conclusão

Modernizar não precisa ser uma aposta binária entre:

“Reescreve tudo”
ou
“Fica preso em VM para sempre”

O Managed Instance on Azure App Service muda essa equação.

Ele permite:

  • Migrar rápido
  • Preservar compatibilidade
  • Reduzir complexidade operacional
  • Manter benefícios de PaaS
  • Criar caminho sustentável de modernização

Na minha visão, ele muda a conversa sobre migração de aplicações IIS para a nuvem.

E isso é algo que há anos estava faltando.

Quer avaliar se isso se aplica ao seu ambiente?

Se você está planejando:

  • Migrar aplicações legadas para Azure
  • Reduzir dependência de VMs
  • Simplificar operação sem reescrever tudo
  • Criar um roadmap realista de modernização

Entre em contato.

Podemos avaliar seu cenário, mapear dependências e desenhar a melhor estratégia técnica e financeira para sua migração.

Modernizar com segurança é possível — quando a arquitetura é bem pensada.

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